Caro amigo, te parabenizo por não
rimar no infinitivo, porque ultimamente é tudo que eu consigo. Aqui em casa somos
três perdidos, contando comigo. E há um quarto em algum lugar acordando cedo
para disfarçar que o mundo já doía antes de eu ter nascido para estragar. Hoje
no olhar do meu irmão, de quem não conseguiria nem terminar de almoçar, entendi
que o que me estrangula é muito maior do que fome ou gula. Não há rima ou amoxicilina capaz de amenizar. Disse, ei, escreva o que você sente,
porque sei, que se você organizar a sua mente, talvez consiga lidar, com o
presente, com o passado e com o que ainda vai te baquear. Mas para mim,
organização já não é solução. Preciso aprender a lidar com meus próprios infinitivos,
esquecer um pouco meus amigos, voltar aos meus sonhos iniciais e procurar um
pouco de paz. E já não é escrevendo e apagando, bebendo ou vomitando que eu vou
achar lá atrás a força que eu não tenho mais. E me mantenho fugindo de mim
mesma, queimando as cartas sob a mesa para permanecer ilesa, porque me
ensinaram muito bem certo e errado, eu quem escolhi meu lado.