quarta-feira, 29 de julho de 2020

O que tem pra fazer

Parava de gostar quando entendia a letra, eu já não era a mesma. Já não fazia gol de caneta e a segunda e a sexta pareciam a mesma. 
A batida fazia sentido, mas não minha vida. Eu vivia enquanto o mundo dormia. Entre o que perdi e o que encontrei, aprendi e o que hoje sei, mas nunca aplico. E será que eu ligo... mesmo? 
Movida por desejo, quero saber onde isso me leva, travando uma guerra, comigo mesma, sabendo que desejo não acaba na sexta e que eu já incendiei até terça, pra hoje me perder por quem não coloca carta sob a mesa.
E agora que todos os dias são iguais e talvez isso não acabe mais, não importa o que ficar pra trás. 
Entre pirraça, disfarçada de ter raça, persigo uma farsa que me atrasa. 
Finjo que não sei do que tô falando, ligo pra fulano, enrolo ciclano e beltrano, enquanto fulana tá me chamando, traço um plano, não sou nova no ramo, mas a quem eu tô enganando? Sei bem o que eu amo.
A imprevisibilidade da vontade, chegar em casa tarde, sem fazer alarde, atravessar a madrugada, fazer a coisa errada. Não entender nada, ficar calada, ser amada, ser rodeada e escolher a cartada, pra trucar ou não e me perguntar se é blefe ou refrão, no final ter inspiração. 
E se eu gosto de confusão, que minha mente não me faça sermão, me deixe fazer a merda que for, contando que não desvie do caminho que vou e eu não esqueça quem eu sou e o que me move. O jeito que eu gosto que me fode e não é minha cabeça, meu jovem. 
Você até pode ser uma incógnita interessante, mas eu já era uma interrogação antes... nesse jogo de amantes.
E eu não tô em busca de romance, nem de um lance. Não quero nada, além de arrancar suas calças, sem usar máscaras. Só pra eu saber que posso e isso ter um fim, porque nem te quero tanto assim. Mas o jeito que você é um "e se" funciona pra mim, nem que seja pra escrever rima ruim.
Não dá pra pensar em qualidade, olha só já tá tarde, mas o jeito que cê é... desperta algo nessa mulher e é mais divertido do que um dia repetido e qualquer coisa que falam ao meu ouvido. Então eu sigo esperando, será que leva um ano? Depois penso em outro plano, mas por enquanto, o que tem pra fazer é rimar sobre você e depois falar pra você ler.

sexta-feira, 24 de julho de 2020

Sagrado amargo


Me prometeu o mundo, quando eu já tinha tudo. Mas abri espaço, e cê não acompanhou meu passo. Fiquei cega, mas não imune. Faca entrou reta, tava sem gume. Amor, eu diria que machucou, mas eu já conheci a dor e sei bem quem eu sou. Já não perco o rumo e se isso rimou é porque eu estava acordada e não te coube na mala. Selecionei o que carrego, suor eu não nego, mas o que tirar minha paz, vai ficar pra trás. Não sou eu, é a religião, cê pode ser ateu, mas meu refrão não. Meu corpo é sagrado e não cabe ninguém ao lado, por mais certo que soe, eu gosto do gosto do errado. E vago, entre o que quero e passado. Então não venha desarmado, a gente pode até ficar pelado, mas não estarei aqui quando você tiver acordado. Tem mais uma garrafa, pra eu secar lá em casa, eu tenho pressa, amar me atrasa. Não vou prometer não deixar marca, nasci brasa, queimei minhas próprias asas e se ofereço perigo a mim mesma, talvez eu incendeie sua cabeça. Que vale a pena eu prometo, se você também é filho do caos, não tem do que ter medo. Mas se você busca sossego e apego, só posso te oferecer meu isqueiro, pra você acender seu cigarro, entrar no carro e ir buscar isso em outro lugar menos amargo.

sexta-feira, 10 de julho de 2020

Tô falando de sexo

Breja gelada, paiero quente, quantas badaladas, ainda ando por essa gente? Calada, cansada ou agitada, entendo que daqui, não levo nada. Acumulo lembranças, encanto cascavéis, sapos amáveis e assumo papéis. Não uso veis, conto reis, organizo finanças. Faço tranças, quando sei que vou suar. E se você não for aguentar, a gente pode trocar. A menina prefere terminar por cima e se você não entende a rima, não é seu dia, ainda. 
Se interessante for, meu amor, escrevo sobre seu calor. Mas ultimamente, só o passado é quente e mexe com a gente. Faz levantar, arrepiar, dançar e suar. Enquanto penso no gosto de escória, que escorria, naquele dia, do meu pescoço até alguma barriga, de quem não liga, mas se precisar compra briga.
Eu não perco meu tempo em ritmo lento, faço valer cada momento, fingindo que há sentimento, se é necessário, pra estar por dentro. 
E se você acha que a baixaria começou, é porque ainda não viu meu alongamento e não sabe quem eu sou. 
Cê quer saber o que é começo? Eu grito foda-se a métrica, desde que abandonei o terço e passei a ter fé no sexo. De um jeito desconexo, nada é complexo, quando me interesso. 
E se você se interessa, não meça esforços, não espere eu voltar aos ossos, que de breja gelada e paiero quente, não serão muitas badaladas, que andarei por essa gente.