sábado, 22 de novembro de 2014

Imutável.

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Entre o vazio dessa gente
Seu olhar frio
Meu corpo quente
Musicas sem conversa
Nos esbarramos  
De festa em festa

Enquanto promessas falsas
Nos tiram de casa
Vestimos mascaras
Cobrimos falhas
Viramos a madrugada
E voltamos pra casa
Sem nada

Dormimos sozinhos
Com nossa boca
Manchada de vinho
Rolando e procurando
Um sentido
Entre sexta e domingo

Mas talvez, só talvez
Eu devesse ter dito
Que com você senti aquilo
Com significado
Que me faz
Te querer do meu lado

Mas seja assim
Seja passado
Seja aquele sábado
Imutável.

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Quero um amor sem conjunções adversativas.

Hoje ela escreve você
Mas num dia desses
Eu escrevia.

Começo de 2013
Algumas inocências a mais
Quando você doía
Quebrando minha paz

Mas nessa Uberlândia tão parada
Precisávamos de algo
Você de vingança
E eu do amargo gosto do amor que faz rimar

Você era a dor da minha poesia
Hoje é no olho dela que seu sorriso brilha
Mas eu não sei sentir ciúmes
E talvez eu já seja imune
Ao seu poder de me fazer escrever

Porque você é droga que mata
Mas que não faz tão mal
Quanto ter levado uma vida banal
Sem a bagunça que era você

Mas eu não sou viciada em nada
E nem até a próxima madrugada
Com: mas, porém, contudo, entretanto e  todavia
Eu consigo viver.



segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Uma só direção.

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Ser suficiente para si mesmo
É batalha travada de segunda a sexta

Enquanto sábados e domingos
Escrevemos à cervejas e vinhos

Brindando a contradição
Da nossa juventude
Soar como um eterno refrão

Em vidas sem versos
De passos incertos
Com futuros pertos

E uma só direção.

Nos resta
Ter pressa
Fazer da vida uma festa
Entendendo que cada dia é uma benção

Cada suspiro uma oração
Ao tempo
Que nunca esteve em nossas mãos

Enquanto seguimos...

Em uma só direção.  

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Canto do pássaro.

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Saudades dos dias vazios e alcoólicos
Solitários sem sua arbitrariedade
Apenas eu e a minha vontade.

Eles aos meus pés
Bocas fieis
Gosto de álcool sem stress,
Corpos de 8 à 10
Fazendo seus papeis.
 
Eu tinha paz, tinha muitos
Podia querer mais.
Ligava pra três
Sorria a partir das seis.

Suprindo necessidades
Sem pagar passagem
Nem preencher formulário de ida,

Indo...
Pra onde a fumaça deixava o anoitecer
Lindo...
E a vida não terminava em você.

Mas me criaram pra acreditar
Que mais vale um pássaro na mão
Do que um sorriso voando

Agora sigo
Perguntando até quando
O canto do pássaro
Doerá, machucará e matará,
Tudo que eu sempre amei ser
Quando a vida não terminava em você.   

  

quarta-feira, 11 de junho de 2014

Amargo adeus.

A chuva sempre teve um significado especial pra mim.

Chovia quando te conheci.

Eu estava emocionalmente vulnerável, imaturamente infeliz e sendo a desmiolada aventureira que sempre fui.
Você era facil de amar e eu amei o seu olhar de quem desejava o mundo, seu sorriso de anti-heroi brasileiro e seu jeito largado naquele dia chuvoso. Com o tempo percebi que você me dava uma paz que me deixava com vontade chorar de desespero, porque eu sempre fui a filha do caos.
Criada numa anarquia brasileira nata, de familia católica e hipócrita, que enche a boca pra falar de quem é mais feliz e mais corajoso. Carregando o peso de um sobre nome que nada tem haver com minha personalidade, e uma vontade fugir maior que as pernas podem correr.

E eu que já sabia amar alguém, vi novamente nascer em mim uma vontade ficar ali... Como quem encontra um mistério a ser desvendado, escondendo as proprias pistas, pra talvez, ter poder sobre a resposta, seja ela verdadeira ou inventada.

Fui me apegando com o tempo, tentando te ajustar às minhas expectativas e te fazer imagem e semelhança de quem você era na minha mente fértil de quem aprendeu a dar mais valor em lapis de cor do que na calculadora.
Eu tinha recentes 18, seguidos de um histórico de mentiras e uma vida de tédio, convencendo a mim mesma de que meu único crime era chorar lagrimas ocre, num mundo tao pobre, que mataram essa cor.

Você era alguém legal de ser e eu fui me tornando mais você e me perdendo música após musica, a cada cigarro amenizado em goles de cerveja que você fazia parecer natural. Mas você era uma eterna adolescência, por trás de uma crise de duas décadas e um. E eu passei a me sentir uma obra de arte inutilizada e sem papel social, dependente de um museu que era você.
E que se tornou o mausoléu da minha alma, morta e enterrada a cada palavra amarga que você usava pra diminuir sua magoa sujando meu nome como se eu também fosse te abandonar por ser um perfeito brasileiro, que pode ate não gostar de futebol, mas vive em função do próximo feriado.

Até que você quis ser o inverso do primeiro, indo embora no meu aniversário, me fazendo rejeitar chocolate e amargando meu sagrado dia um. Mas voltou com o sol, me arrancando mais lagrimas que já nem eram ocres e doiam como sangue, enquanto você dormia ao meu lado, com o ronco mais calado, que incomodava como o som de um novo dia, pra uma alma abandonada.
Então eu decidi parar de abafar meus soluços com o chuveiro, e ir pra onde a dor doesse com 5% de álcool grátis e um CD ao vivo de cbjr no carro ao me levar pra casa e pra lugares e bares que você não levou.

E sem espaço pra sobriedade, ele fez parecer facil, mas cada vez que você surgia, a vida novamente tinha graça. E seu sorriso me fazia acreditar que a alegria não era uma farsa. Entao eu troquei a ceva de graça, troquei sem aviso prévio, como um escritório em um grande prédio, já vazia e sem poesias. Por outro que nunca seria você, me convencendo de que, estava pronta para te esquecer. Porém todo caminho que percorri correndo, me trouxe exatamente pra minha trilha do medo, me mantendo entre os seus dedos, rezando pra ir embora antes que seja muito cedo.

Ter voltado pra você foi mais difícil que te deixar ir. E só pelo desafio talvez é que eu esteja aqui hoje, te dizendo adeus. Porque eu não nasci pro amor, pois ele desconstrói e destroi, tudo aquilo que eu sou.

Então adeus meu amado, eu preciso de algo doce nesse mundo amargo, pois só a dor me visitou desde que você me quebrou, e por imaturidade ou maldade, está sempre ocupado de mais pra juntar minhas partes.

Porque você é meu Anjo Gabriel, você vai me apresentar o mundo... mas nunca me levar pro céu.

sexta-feira, 16 de maio de 2014

Com ele nunca ...

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hoje a lua estava tao bonita,
mas ela nao parou pra olhar

cega
surda
sombra

de tristeza tao rica
com uma agonia linda
de quem ama um menino
da terra do nunca
que nunca irá crescer

e diminui seu coração
diminui seu sorrizo
tirando o que é preciso
sufocando de porta aberta
agindo na hora certa

ele segue
roubando seu brilho
roubando sua força
de moça
com sonhos

ela que já não tem valor
ela enroscada
ate a alma
no errado amor

só ela nao enxerga
a lua
a rua
a chuva
e que com ele nunca vai ter
uma casinha de sapê

sábado, 1 de março de 2014

Cheia.

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Fugindo do mundo que nos rodeia
Percorrendo à pernas alheias
Desperdiçando o sangue em minhas veias
Matando sereias e fantasias
Sigo vazia, rumo ao próximo dia

Livre de liberdade por não saber usa-la
Aguardando o dia de fazer as malas
Seguir rumo ao nada, longe de casa
Sem previsão de volta

Então tranque a porta
Porque o mundo dá voltas
Mas nunca para no mesmo instante
E o futuro nunca será como antes
Então zere seu relógio
E não guarde ódio

Eu fiz o que pude
Pra me contentar com essa quietude
Mas nasci pra guerra
Nunca pra viver pela terra

Já não sou a mesma, aqui presa
Na terra do nunca dos adultos
Onde sonhos somem rápidos como vultos
Mentindo pra mim mesma
Que fugirei na próxima sexta
Pra honrar minha alma guerreira
Que quer chegar antes da primeira

Já não posso seguir vazia
Rumo ao próximo dia
Me perguntando o quanto valeria
Minha vida cinza
Nesse mundo cheio de cor

Já que eu só lutei por amor

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

SOS

Nossos segredos e medos se foram cedo, junto com você, e não sobrou ninguém pra escolher, caminho bom ou mal, porque nós éramos uma só.

E hoje estou a sós e muito mal acompanhada, gritando SOS ao nada, admirada com o que o tempo pode fazer. 

Mas nem ele apaga você.

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Barricada

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Há uma barricada, de frente a minha sacada, mas eu não sei usar espadas. Prendo pássaros em gaiolas, pois não tenho asas. Nunca desfaço as malas, pois a vida é uma emboscada. Pra que desarmar bombas se eu posso fugir antes de explodir?
Eu vejo a mesma fumaça, daqui da minha casa, enquanto eles se matam por nada, gritando seus ideais mal pensados, com seus escudos enferrujados, mais preocupados em não serem derrotados, do que com a vitória, se esquecendo de que a morte não te deixa viver a gloria, como se a vida não fosse uma só, como se pudessem desatar cada nó da humanidade com sua juventude e força de vontade.

Há uma barricada, de frente a minha sacada, quem sabe na minha gaveta ainda haja uma arma, e pela primeira vez eu não fique calada, mesmo que eu morra entre esses jovens babacas, mas de uma maneira honrada. Pois não há nada mais triste que não lutar por nada, quando há uma barricada, de frente a sua sacada, esperando pra te dar asas.