Arreta a postura, deixa a página escura,
Liga o abajur vermelho, repara o reflexo no espelho e
Fala do que cê sente, seu dedo não mente.
Você queria algo pra sempre.
Você não queria nada pra sempre.
Não finge que tá fácil, entende,
Cê já dormia rangendo os dentes
Mas nunca deixou de seguir em frente.
Mulher, não é isso que você quer,
Você sabe quem você é.
Entorpecente nenhum na mente
Te deixou perdida quanto ao que ce sente
Não é novidade que o amor machuca e
Você sabe, você sente
Não é porque alguém arrepia sua nuca
Que é aí o fim da busca
Não tem busca, larga de ser maluca
Cê tem tudo que cê precisa
Dinheiro, rima, amigos e sua pesquisa
Você não quer companheiro ou companheira
Essa vida não é brincadeira, mas você já foi escoteira
Você quer ficar até tarde pela cidade
Aprende a ser casual, não vai te fazer mal
Cê não é banco de carona de ninguém
Em uma estrada que é sua
E você vai ficar nua e ir além
À luz da lua e não de alguém
Cê cresceu na rua
E nunca deixou de ser sua
Cê nunca vai estar sozinha
Cê não precisa de um bom dia
Volta pra terapia
Aprende a responder quem é a Kira
Sem fugir, sem fingir, sem mentir,
Cê nunca deixou de saber
Não tem como esquecer
Você sabe tudo sempre volta
E quando a saudade vem de lá
Você sempre já fechou a porta
O futuro é um redial
Infinito de um telefone medieval
Aprende a ser casual
Não vai te fazer mal
Não é uma boca que odeia neoliberal
Que vai te fazer ser menos vendaval
Não seja Kira pra quem te trata como Wal.