sábado, 11 de abril de 2020

Não seja Kira pra quem te trata como Wal.


Arreta a postura, deixa a página escura,
Liga o abajur vermelho, repara o reflexo no espelho e
Fala do que cê sente, seu dedo não mente.
Você queria algo pra sempre.
Você não queria nada pra sempre.
Não finge que tá fácil, entende,
Cê já dormia rangendo os dentes
Mas nunca deixou de seguir em frente.

Mulher, não é isso que você quer,
Você sabe quem você é.
Entorpecente nenhum na mente
Te deixou perdida quanto ao que ce sente
Não é novidade que o amor machuca e
Você sabe, você sente
Não é porque alguém arrepia sua nuca
Que é aí o fim da busca

Não tem busca, larga de ser maluca
Cê tem tudo que cê precisa
Dinheiro, rima, amigos e sua pesquisa
Você não quer companheiro ou companheira
Essa vida não é brincadeira, mas você já foi escoteira

Você quer ficar até tarde pela cidade
Aprende a ser casual, não vai te fazer mal
Cê não é banco de carona de ninguém
Em uma estrada que é sua
E você vai ficar nua e ir além
À luz da lua e não de alguém
Cê cresceu na rua
E nunca deixou de ser sua

Cê nunca vai estar sozinha
Cê não precisa de um bom dia
Volta pra terapia
Aprende a responder quem é a Kira

Sem fugir, sem fingir, sem mentir,
Cê nunca deixou de saber
Não tem como esquecer
Você sabe tudo sempre volta
E quando a saudade vem de lá
Você sempre já fechou a porta

O futuro é um redial
Infinito de um telefone medieval
Aprende a ser casual
Não vai te fazer mal
Não é uma boca que odeia neoliberal
Que vai te fazer ser menos vendaval
Não seja Kira pra quem te trata como Wal.

segunda-feira, 6 de abril de 2020

Furacão Kirinha ataca novamente

hurricane, solene, o que eu preciso te dizer pra essa roupa subir e sua boca descer?
eu sei que você vai sentir falta, ninguém deixou de sentir. eu sei que pele na pele não tem competição, não tem refrão audível, não tem nada que não seja melhor comigo. e se não era seu tempo, tudo tava meio azul, deixa o vento bater no seu corpo nu e você pensar no meu e o no que ainda não aconteceu, porque não era hora e ainda dava pra ir lá fora, sem temor. e quando de novo for, não demora, deixa a garrafa de lado, fica calado, deita aqui do meu lado, recupera o fôlego, quero de novo e dessa vez você não vai me jogar no ombro, fazendo graça de me levar pra casa. eu só volto quando apagar meu fogo e lá vamos nós de novo. tudo escrito no original, não tem erro de tradução, nem final, taca sal nessa vida. eu já não sou comprometida desde o último Carnaval e não é hipertensão que vai te fazer mal, o perigo, querido, é fingir que não é lindo o jeito que você sorri, quando eu to aqui. mas se você quiser que eu fique, vai precisar pedir, adivinhação eu ainda não desenvolvi. e você sabe que eu preciso de mais, de me sentir o último gole de refri, pera aí que eu vou tossir e vestir uma nova lingerie. e se você sorrir enquanto ler, saiba que eu vou respeitar seu espaço e esvaziar meu maço, entre um beijo e outro passo, pra perto. e se uma hora eu quiser ficar, nunca vou te falar, você fica na defensiva e eu sou a kira. 
por enquanto, só vamo, ignora tudo, o todo, o fundo, o povo, o futuro, o rumo. eu juro, nunca vai ser entediante enquanto eu estiver no mundo. eu te deixo adormecer, mas só vou te prometer, ficar aqui, enquanto tiver graça escrever sobre você.