segunda-feira, 15 de março de 2021

Mal amada

 

Em 2015, ou algum desses, fiz um poema, mas só na minha cabeça.

Ele dizia: “você nunca pode re-ser, o que você já é”.

 

Mas sempre chove quando eu choro e eu só molho por dentro.

Debaixo do teto, de dentro do peito.

 

A verdade estraçalha, não tem outro jeito.

Não há amor, existe a nossa natureza e o tempo.

 

Se em 2021, olhos marejam, ar falta e peito aperta,

É sinal de que lá atrás eu estava certa,

Mas o tempo só tudo cura, depois que tudo leva.

 

Não adianta fazer malas

Nem decorar novas falas

Sem encarar todas dores

 

...tempo...

 

Vem arranca cegas cores

...

 

Com métrica formo alvor

Pra mudança verso calor

Até mágoas perdem sabor

,

Pro futuro deixo o amor

 ,

Não mais cabe onde vou.


 

Foda-se a métrica e quem já mal me amou!


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