terça-feira, 30 de junho de 2020

Tarefa de casa

Língua brasileira, na veia goiana-mineira, arrebentando as porteira, ideia ligeira, baita rasteira, nas ideia gringa, que aqui não vinga, já que a polícia, sobe estatística, todo dia, ilegítima defesa, justifica na violência, interesse da burguesia.

Jovem brasileiro, que nasce sem dinheiro, aceita qualquer emprego, em pé o dia inteiro, sinaleiro, pra safado privilegiado, não aceitar meus panfletos, fechar vidro pro menino e mexer comigo, mas já não fico em silêncio. 

Trabalhador não tá ao seu dispor doutô, ce nem tem doutorado. Garças a quem me apoiô e cada trampo suado, terminei o mestrado, medo e humilhação é passado, mas não abandono, quem vive o jogo, que já me tirou o sono. 

Não há meritocracia, nessa vida, com criança indo pra escola comer uma vez por dia. Que não sobre uma estrutura, se ninguém mais dormir na rua, cada um amar quem ama e preconceito virar lenda urbana. 

Hoje dou aula, madame não cala meus sonhos, o mundo é meu, vou passar pros meus alunos em sala, entendeu? Ensino Inglês e Português, pra não serem calados por burguês. Conhecimento é arma, munição a raiva e a revolução, tarefa de casa de vocês. 

domingo, 28 de junho de 2020

Perder

Acordei em silêncio, me perdi em meio ao que penso, voltei ao começo, me perguntei se tinha espaço, descobri que se for por você eu faço, um buraco, um rasgo, em tudo que planejei, o que estudei, aprendi e hoje eu sei e disfarço, abro mais um maço, tropeço e me refaço. Vai te caber de um jeito ou outro, não te querer é coisa de louco, pra você, meu mundo é pouco. Correria nunca fez tanto sentido, como quando você escuta o que eu digo. Eu acordo, respiro. Que cê fez comigo? Não reclamo de mais nada, atravesso a madrugada. Não faço mais coisa errada, tô sem palavra, mas não cansada. Ajeita e traga, me guarda, não diz mais nada. Me levanto desarmada, sua voz me deixa pelada, me dispo, não me arrisco, te risco, deixa eu rabiscar sua vida e chamar de arte, em meio ao desastre, o que vier faz parte, te levo ao céu ou marte. Te tiro daqui, te faço rir, cê não vai querer dormir, eu vou ali, cê vai querer ir? Fazer meus rolê, definir uns porquê, viver. Vem eu levo você, cê tem algo a perder?

domingo, 21 de junho de 2020

Final de semana - Volume 2


Se foram os amores, levaram as flores, deixaram espinhos e um gosto amargo de vinho tinto seco. Se foram antes que fosse cedo, então escrevo, entendendo que minha vida é uma música de amor acústica e a solidão o meu melhor refrão, sem sombra de dúvida.
Mas nada mais emociona, do que entender como a vida funciona e o porquê as pessoas se amam, quando o dia a dia se escreve na cama e o prazer rola sem drama.
Mas já fui refém, do olhar de alguém, que te arrepia tão bem, que quando vem e tem, você não é de mais ninguém.
E me deixei, porque na minha cabeça, o errado é viver só de segunda a sexta. E me deixei, porque ele foi meu final de semana, bagunçou minha vida e minha cama.
Foi como um raio, o preço pago foi caro, eu sei, mas em ecstasy sorrio enquanto caio e eu sempre me cuidei.
E mesmo em meio a um amarro, não faltava cigarro, segurava enquanto trago, tirava na hora certa, beijava a fumaça espessa, não deixava cinzas na coberta.
Meu melhor companheiro, não foi último, nem primeiro, mas foi esperto e me deixou ir, enquanto ainda estava inteiro.
E ele entende que 200 bpm, não era suficiente pra gente e que queremos o que vem pela frente. Outro alguém que faça do nosso sangue frio, temporariamente quente. Um amor que não se sustente na imprevisibilidade entorpecente.
Mas se eu ficar entediada, talvez o telefone toque de madrugada e se ele estiver acordado, talvez a gente vá parar em outro estado, sem ter planejado, com o carro lotado de quem sabe que dessa vida não se leva algo e que a juventude só se vive uma vez, como tantas vezes a gente já fez.  
No fim, nada mais emociona, do que entender como a vida funciona. Pelo menos, vivemos ao lado de quem a gente ama, antes de todo esse drama, de final de semana a final de semana. E por isso, mesmo que já não nos caiba em nossas camas, nunca nos faltará grama, 

nessa...

Vida de gado
Onde centro lotado
Tinha jovem feliz.

terça-feira, 2 de junho de 2020

Afterlife

Em meio à pandemia e a correria,
em algum ponto do dia, 
fiz o que a muito não fazia, 
olhei pra dentro da dona Kira. 
Vi tudo o que eu conquistei, 
nesse meio tempo que caminhei, 
senti orgulho e algo além.
Mas no mesmo momento,
divaguei, 
respirei fundo, 
entre meus pensamentos.
Fiquei aliviada com o passar rápido do tempo, 
com a certeza de que não conseguiria 
repetir nada com a mesma mágica.
Pois foram os pequenos hábitos, 
os passos apressados, 
os dias acordados,
e até os ventos trágicos dos quais fui refém, 
que fizeram de mim esse alguém. 
E só consegui me sentir grata,
se algo valeu, foi essa jornada,
mas ainda bem que o tempo passou, amém.
Só me resta pra onde vou,
dessa vez, sem mais ninguém.