domingo, 21 de junho de 2020

Final de semana - Volume 2


Se foram os amores, levaram as flores, deixaram espinhos e um gosto amargo de vinho tinto seco. Se foram antes que fosse cedo, então escrevo, entendendo que minha vida é uma música de amor acústica e a solidão o meu melhor refrão, sem sombra de dúvida.
Mas nada mais emociona, do que entender como a vida funciona e o porquê as pessoas se amam, quando o dia a dia se escreve na cama e o prazer rola sem drama.
Mas já fui refém, do olhar de alguém, que te arrepia tão bem, que quando vem e tem, você não é de mais ninguém.
E me deixei, porque na minha cabeça, o errado é viver só de segunda a sexta. E me deixei, porque ele foi meu final de semana, bagunçou minha vida e minha cama.
Foi como um raio, o preço pago foi caro, eu sei, mas em ecstasy sorrio enquanto caio e eu sempre me cuidei.
E mesmo em meio a um amarro, não faltava cigarro, segurava enquanto trago, tirava na hora certa, beijava a fumaça espessa, não deixava cinzas na coberta.
Meu melhor companheiro, não foi último, nem primeiro, mas foi esperto e me deixou ir, enquanto ainda estava inteiro.
E ele entende que 200 bpm, não era suficiente pra gente e que queremos o que vem pela frente. Outro alguém que faça do nosso sangue frio, temporariamente quente. Um amor que não se sustente na imprevisibilidade entorpecente.
Mas se eu ficar entediada, talvez o telefone toque de madrugada e se ele estiver acordado, talvez a gente vá parar em outro estado, sem ter planejado, com o carro lotado de quem sabe que dessa vida não se leva algo e que a juventude só se vive uma vez, como tantas vezes a gente já fez.  
No fim, nada mais emociona, do que entender como a vida funciona. Pelo menos, vivemos ao lado de quem a gente ama, antes de todo esse drama, de final de semana a final de semana. E por isso, mesmo que já não nos caiba em nossas camas, nunca nos faltará grama, 

nessa...

Vida de gado
Onde centro lotado
Tinha jovem feliz.

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