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Continuo fazendo minhas malas
Engolindo palavras que morrem caladas
Não me apegando a lugar nenhum
Sendo notada como os que fazem zum zum zum
Mais uma submundana
Rimando porque ama
Sigo repetindo frases, crases, fases
Sou a poeira depois das catástrofes
O que sobra da guerra e das pazes
Livre como as aves
Só que meu voo não tem destino
Eu apenas, desenho, escrevo, rimo
Não pretendo chegar a lugar nenhum
Não pretendo ser o numero Um
Sou o Zero
Mas sou quem eu quero
Meu sorriso é o mais sincero
Sou a sabedoria do velho
A agonia do vermelho
Sou a falta de dinheiro
Sou a mesma até no espelho
A rainha do formigueiro
A pequena fazedora de grandezas
Um pote de fraquezas
No meu rosto o sorriso triste
De quem esqueceu que deus existe
Ou quem sabe ele esqueceu de mim
Tudo que eu sei é que não sou o fim
Sou o começo, sou o preço
Sou o lado certo e o avesso
Sou quem eu sou pra quem interessa
O começo, não o final da festa
A reza e o milagre
A luz e o sabre
Sou a contradição e o nexo
Só mais um resultado do sexo
Feita por meus pais
E criada pra ser mais
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