sábado, 23 de janeiro de 2016

Moldado à barro.

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Dois mil e dezesseis me fudeu em menos de um mês
Parecem anos, mas foram dias e foram três

Calculei e são cento e vinte e quatro dias à pé,
Pra juntar na sua cidade a nossa céticidade
Que já tem quase uma semana de fé,
E o que são quinhentos e noventa e dois quilômetros de carro?
Pra um novo sonho moldado à barro*

Nós nos gostamos de primeira,
Em plena monday feira
Fomos ao purgatório de segunda
Abrindo a porta do inferno
Mas eu não te tive o quanto quero
O paraíso não foi na terceira, é sério!

Mas você é dos meus, é guerreiro é homem de verdade
E apesar de hoje eu só conseguir respirar saudade
Vou torcer pra que na próxima eu possa ficar até tarde
Pois você é minha língua materna,
A trégua da minha guerra interna,
Então confia em mim
Que eu vou ser a flor mais bonita do seu jardim

Já que você é quem tem meus defeitos preferidos
Sendo o trincado do meu espelho refletido
Por você eu vou ignorar os livros lidos
E os anos nas costas
Pra dar tudo o que eu tenho nessa aposta

Então chega de me dar explicação, me dê seu coração
Pois não quero te acorrentar ao meu tornozelo
Quero tê-lo, por inteiro,
Do sorriso até o ultimo fio de cabelo
Te quero livre, sem rodeios, te quero sorrindo
Não de joelhos.

E mesmo aos vinte e um e no auge desse mundo cinza
Onde tanto se perde e verdade se economiza
Eu mentiria pra você com a “facilidade” que faço baliza
Já que o seu defeito é pra mim ser perfeito
E no meu peito já não dá pra esconder
Que se o Deus do amor fosse humano ele amaria como você


Obs*: moldado à barro: algo moldado a barro trinca fácil na mão de pessoas descuidadas, mas pode durar anos se tomarmos cuidado.

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