sexta-feira, 11 de março de 2016
Mulher muralha
Não sou mulher
Sou muralha
Meu coração é campo de batalha
Guardo a sete chaves
Os desamores da humanidade
Já fizeram meu peito de trincheira
Aqui estou desinteira
Me mantendo sóbria em dias-feira
Não sou mulher, sou medo
Queimo meus próprios suprimentos
Defendo-me de inexistências
Vivendo de reticencias
E paranoias
Hoje eu sou silêncio
Buraco negro de sentimentos
Guardo o que eu sinto
Engulo o que eu penso
Carrego o peso por dentro
Pois enterraram meu coração
A sete palmos do chão
Em salmos de uma oração qualquer
E cansada de mais pra ter fé
Deixei de ser mulher
De tanto tentar ser o que o mundo quer.
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