no momento
em que o teto à minha cabeça
não me protege
de chuva de vento
que atravessa o ponto
onde espero o ônibus
rumo à lugar nenhum
agarrada à um litro de vinho ruim
entre crises de saudade
e de ansiedade
grande de mais pra essa cidade
perdida na minha idade
rasgaram meu peito com verdades
lá no interior
o espelho de quem eu sou
quem me criou com amor
provou que o que pra mim é bom
mata sem razão
a infância
de duas crianças
sem esperança
orfãos de pais vivos
julgados por juizes amargos
sufocados pelas mesmas mãos
que foleiam salmos
vocês, tão certos
os vejo no inferno
digam aos meus primos
que tive sorte
mas não sou forte,
sou estragada
vivo de madrugada em madrugada
fazendo a coisa errada
mas só à mim mesma
diferente de vocês
que de segunda a sexta
destroem sonhos à mesa
com seus padrões morais
fazendo eles se cortarem
por amarem, sonharem
mas eles são só duas crianças
sem esperança
orfãos de pais vivos
julgados por juizes amargos
sufocados pelas mesmas mãos
que foleiam salmos.
Nenhum comentário:
Postar um comentário