Há calafrios que cobram preços que eu não posso pagar... Rios
que não desaguam no mar, palavras que eu não sei como falar, pra certas pessoas
que eu sei que vou lembrar.
Todos parecem tão insignificantes depois de alguns anos,
nada nunca é como antes, ninguém nunca fica tempo suficiente pra cumprir o que
prometeu... E seguimos caminhos com pontes que quem construiu já esqueceu.
Há males nunca virão por bem, orações que não terminam
num amem, que nos levarão para o inferno e nos darão o que nem quero e você não
sabe o que é.
Silêncios que não terminam em adeus, eternidades que não
duram um mês, pegadas que ninguém fez, mas queriam ter feito... de algum jeito.
Chama amor, chama dor, tem cor, fede rancor, você levará
onde for, mesmo que não vá onde o mundo quer... Você pode ser diferente, você
pode não ser como eu, sua força pode ser mais feroz que a minha própria voz,
mas você vai lembrar que existiu um nós e vai doer, por não podermos mais ser.
Alguns vão sem data ou hora marcada, levam lembranças,
outros não levam nada, alguns eu guardo, outros trago e apago, sem nem cinzas
pra bater em dias nublados. Mas você é minha onda sóbria, a linha bamba, que não
chega a ser corda. E você dá pano pra minha fruta preferida, porque sabe que
cada olá meu é uma partida, e que eu não sou algo que dura, algo que fica... Sou
cicatriz que nunca cura, doí e irrita, o álcool na sua ferida, que te faz me
querer por toda vida.
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