A minha arte é baseada em meus sentimentos, os quais
estão em constante mudança, o que me impossibilita entendê-los, ou até mesmo explicá-los.
Não sei por que a crio, talvez seja amor ou até mesmo falta
de algo melhor para fazer. Quem sabe um pouco de vontade de marcar meu
território, ou fazer coisas diferentes baseadas em outras pré-existentes,
existem tantas possibilidades, e essas muitas possibilidades também podem mudar
de acordo com a hora o dia e meu humor.
Sou complicada, sou humana, me sinto um quebra cabeça, e
amo sê-lo, quero que me desvendem, talvez ser desvendada é tudo que eu anseio. Mas
talvez, só talvez, porque quando falo de mim, tudo depende de algo. Algo que
também vai depender de outras mil coisas.
Se me perguntarem qual é a minha arte, não saberei dizer
se são meus desenhos amadores, as minhas letras de musica não terminadas e sem
melodia, ou as historias inventadas que estão na minha cabeça para serem contadas,
quem sabe até terei outras respostas.
Ensinaram-me que um bom escritor sabe colocar a técnica de
escrita a frente de seus sentimentos, por um tempo tentei faze-lo, mas foram
tentativas frustradas, minhas letras ficaram mecânicas e forçadas, não me
agradaram. E por mais que eu queria reconhecimento e elogios, agradar a mim
mesma sempre será o mais importante. Não adianta ser reconhecida em uma arte
que eu mesma não me reconheço. É mais frustrante que ver o que eu escrevo
morrer sobre meus olhos em uma tela de computador.
Não houve incentivo ao amor à arte por parte da minha família,
me parece que eles sempre estiveram muito ocupados para parar e aprecia-la. Não
sei onde aprendi, ou quando comecei ver beleza em tudo, tanto nas verdadeiras
belezas quanto nas coisas julgadas feias. Consigo ver beleza na dor, no
sofrimento, na morte, na guerra, na paz e principalmente no que é
contraditório, vejo-a em realmente tudo, nas coisas pequenas e nas grandes, nas
simples e nas complexas, mas pouca coisa me tenta mais que o ser humano em si.
Não me interesso por todos é claro, alguns são como as
pedras já citadas por mim em outros textos, só são chutados de acordo com a
vontade alheia, não escolhem pra onde vão se mover. Mas existe uma minoria
formada pelos que anseiam mudanças, sujam suas mãos pelas suas causas, os dispostos
a lutar e a aprender coisas novas, que sonham com a eternidade de seus nomes; com
eles eu me identifico.
São personagens como esses que dá gosto de assistir em
filmes, e lê-los em livros, são pessoas como essas que quero na minha vida. O triste
é que são cada vez mais raras. Na teoria muitas são assim, na pratica é
diferente. Estamos cercados de pessoas empurrando a vida com a barriga e
vivendo vidas que não querem para elas, não por suas culpas, mas culpa da
cultura e do modo de vida, do lugar onde cresceram que reprime seus sonhos
antes dessas pessoas pensarem em lutar por eles. Eu sei bem como é isso.
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